Interatividade reduzida: político é sabonete?

Written by Cristiano Lopes on September 21, 2008 – 12:31 pm -

A utilização da internet como plataforma extra de exposição da imagem do candidato e como canal de comunicação direto entre esse e seus eleitores é fato, apontado por inúmeros exemplos vistos nessa campanha eleitoral de 2008. Mas será que os políticos estão explorando toda a interatividade oferecida?
Como pode ser visto neste blog, uma característica presente na maioria dos sites de candidatos pesquisados é a instituição do canal “Fale Conosco”, a fim de promover um contato direto com os eleitores/internautas. Porém, esse canal não favorece o debate e nem explora a interatividade de forma eficaz. A comunicação acontece de “um” (eleitor) para “um” (candidato), e/ou vice-versa, e não de “muitos” para “muitos”. Sem contar que há uma defasagem entre o tempo de envio da pergunta e de sua resposta que não se submete a nenhum padrão temporal. É um contato direto com o candidato que não favorece o debate de idéias entre eleitores que poderiam, por exemplo, estar discutindo o programa de governo do candidato a prefeito em sua própria página.

Pelo contrário, o contato entre o candidato e seus eleitores se torna “frio”, permitindo uma comparação ao contato oferecido por uma empresa, que vende um determinado produto, aos seus consumidores. Poderíamos, nesse contexto, pensar da seguinte forma: o candidato é pensado com um produto e o eleitor, seu potencial consumidor. E em uma estratégia de lançamento, o candidato fica exposto para que seus consumidores, insatisfeitos, possam sugerir melhorias para tal produto. Este consumidor então deve entrar em contato através do canal “Fale Conosco” da empresa (que poderia representar o comitê de campanha política) e dirigir sua opinião a mesma. Estaríamos regredindo aos tempos em que o marketing político considerava o político como um sabonete?

Canal “Fale Conosco” do candidato Leonardo Quintão (à esquerda) e da operadora Vivo (à direita)

Ângela lima, candidata a vereadora de Nova Lima, também oferece o mesmo canal de comunicação, assim como Leonardo Quintão e outros candidatos. Porém, em seu site interessa-nos outro exemplo de não aproveitamento das ferramentas disponibilizadas pela internet: a sessão galeria de fotos. No site em questão ele não é devidamente utilizado, e cria-se uma falsa expectativa para o internauta ao mesmo tempo em que evidencia um descuido quanto à utilização dessa interatividade extra. Esse espaço teria por objetivo oferecer aos eleitores a chance de acompanhar a agenda de campanha dos candidatos, comprovando os compromissos dos mesmos aos eventos políticos.

Por último, encontramos outro flagrante da falta de familiaridade com os recursos oferecidos pela web 2.0. No site de Solange Amaral, candidata a prefeita do Rio de Janeiro, é adotado o uso do blog, uma ferramenta que facilita o diálogo através de sua sessão de comentários, mas sua interatividade é desperdiçada, como pode ser visto mais adiante. Um leitor comenta uma matéria publicada fazendo um elogio à candidata no dia 21 de agosto. Porém, a réplica de Solange Amaral aparece 5 dias depois. Percebe-se que o político e sua assessoria não aproveitam a oportunidade para continuar um diálogo com o mesmo, ou de apresentar novas idéias frente ao elogio recebido. A comunicação se encerra como se fosse um e-mail dirigido a candidata que ela responde ao leitor.

Por outro lado, alguns políticos estão atentos para as possibilidades que a internet oferece, da relevância de alguns instrumentos como forma de promover o debate e a interatividade. Eduardo Paes, outro candidato a prefeitura do Rio de Janeiro, disponibiliza em seu site um canal de bate-papo com seus eleitores via chat. É uma ferramenta que se apresenta como alternativa complementar aos debates corpo-a-corpo e utiliza o meio virtual como um novo canal de comunicação entre o eleitor e o candidato, se diferenciando do tradicional canal “Fale Conosco”.

Solange Amaral, candidata já citada anteriormente, agora nos oferece um exemplo assertivo quanto a utilização da internet nas campanhas políticas. Para aqueles que se simpatizam pelas propostas da candidata e querem participar da campanha de forma a divulgar e contribuir para a eleição da mesma é oferecido uma espécie de manual eletrônico. O eleitor/internauta sabe passo a passo como proceder em diversos meios eletrônicos, maximizando o que cada ferramenta possibilita ao seu usuário e potencializando seu poder de comunicação.

Talvez o despreparo seja reflexo do rápido crescimento da utilização da internet pelos políticos nessas campanhas eleitorais, influenciado pelo seu uso nas campanhas presidenciais americanas e por conta das alterações nas leis da propaganda eleitoral, como diz Francisco Neves, diretor de serviços e tecnologia do registro.br. É certo que há uma falta de familiaridade com as ferramentas disponibilizadas pelo meio. Poderíamos comparar a seguinte situação: uma criança que não sabe andar de bicicleta decide começar pela bicicleta sem rodinha. O resultado pode ser desastroso, mesmo que ainda se possa percorrer alguns metros com poucas pedaladas. Vale a pena arriscar?


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Metablog político: o uso da web 2.0 nas campanhas eleitorais brasileiras de 2008

Written by Marina Lúcio on September 8, 2008 – 3:05 pm -

Este blog faz parte da fase de experimentação de um projeto de conclusão de curso em Comunicação Social, habilitação Publicidade e Propaganda da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, cujo tema refere-se à Campanha Eleitoral na web 2.0 e seu uso nas Eleições Municipais brasileiras de 2008. O e-leição tem como propósito constituir-se como um fórum de discussão sobre como a internet vem sendo utilizada pela política. Interessa-nos investigar se suas potencialidades, tanto do ponto de vista político quanto técnico, estão sendo exploradas não só como ferramenta de construção de imagem, mas também como possibilidade de debate sobre as propostas de governo, no caso dos prefeitos, ou de atuação parlamentar, no caso dos vereadores, e ainda como prestação de contas daqueles que estão pleiteando reeleição.

Com este blog, propõe-se deslocar o curso normal de uma monografia ao migrar a discussão, que seria feita no último capítulo, para o meio digital. Acredita-se que esse passo possa permitir uma interlocução, antes restrita ao momento da banca final de avaliação, e assim ampliar e agilizar o feedback. Os posts terão caráter informativo sobre o uso da web 2.0 nas campanhas eleitorais, e também analítico, contando com o auxílio de especialistas e de considerações feitas por internautas interessados no assunto.

Enfim, nossa proposta é recorrer ao próprio meio a ser estudado para examinar e discutir as possibilidades de participação política dos cidadãos no momento das eleições, bem como de discussão das estratégias político-eleitorais acionadas pelos candidatos, ainda no decorrer do período eleitoral.

Seja bem-vindo!


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