Ainda que haja uma série de problemas e críticas quanto ao emprego político dos new media, presume-se, em um conjunto considerável de referências bibliográficas, que os mecanismos de comunicação potencializados pela Internet poderiam ser uma resposta plausível para problemas inerentes ao fazer democrático. Ao abrir caminho para a consecução de ferramentas voltadas para reverter a apatia dos cidadãos, ao incrementar as iniciativas de transparência governamental ou ao fomentar a lide com uma plataforma de comunicação dificilmente manipulável em toda sua extensão por um grupo específico (seja ele político ou econômico), aufere-se aos dispositivos de comunicação digital um caráter predominantemente democrático. A discussão sintetizada às potencialidades e aos limites dos novos suportes comunicacionais, porém, não parece ser a mais frutífera, visto que, para se aperfeiçoar a democracia, é indispensável verificar se os instrumentos à disposição vêm, efetivamente, sendo empregados.
Especificamente no que concerne às eleições, percebe-se um uso cada vez mais relevante dos media digitais por parte dos candidatos. Este não é, necessariamente, um fenômeno novo. Já há alguns pleitos, os partidos e os concorrentes a cargos eletivos vêm lançando mão dos recursos de Internet para organizar a militância, aprofundar propostas que não puderam ser integralmente expostas no horário gratuito de propaganda eleitoral ou, ainda, promover ataques a adversários. O ineditismo fica por conta daquelas iniciativas mais ousadas cujo intento é envolver, de fato, os cidadãos no processo eleitoral. Nesse sentido, o esforço recente das candidaturas de Barack Obama e de Fernando Gabeira geraram grande repercussão graças à promoção de oportunidades de participação política. Estas experiências demonstraram que atividades como a arrecadação de fundos ou a arregimentação de voluntários se tornaram, sem dúvidas, mais facilmente factíveis por conta dos atalhos comunicacionais propiciados pela estrutura em rede da comunicação mediada por computador.
No entanto, há algumas ressalvas que provocam um olhar mais cauteloso sobre os modos através dos quais são promovidas as campanhas na Era digital. Primeiramente, considere-se o público ao qual estas iniciativas são direcionadas. Em universos diminutos, a contarem com uma quantidade de poucos milhares de eleitores, por exemplo, o essencial ainda parece ser o contato direto do candidato com os cidadãos. Isto significa que os investimentos em comunicação digital tendem a ser mais eficazes em contextos ampliados de disputa (e, sobretudo, em eleições majoritárias).
Em segundo lugar, questiona-se o perfil da participação que é proporcionada pelos websites dos candidatos, mesmo aqueles mais audazes do ponto de vista da comunicação política. Ou seja, quanto realmente vale a oportunidade de participar apenas através da publicação de um comentário no blog do candidato? Será suficiente para influenciar as disposições e opiniões dos candidatos o envio de e-mails com propostas? Ainda que o candidato se diga influenciado, observe-se que, das sugestões enviadas pelos cidadãos quando das contendas eleitorais até a efetiva elaboração, discussão e implementação das políticas públicas, vai um longo caminho.
Ligada a esta última dúvida, surge um terceiro senão. Ele indica que é preciso enxergar o jogo político para além dos períodos eleitorais. Ou seja, uma vez passado o pleito, que tipo de emprego será conferido às ferramentas de comunicação digital quando da condução cotidiana da coisa pública? Quais seriam as formas mais eficazes de se reforçar o caráter republicano das instituições do Estado?
Por último, fica a impressão de que a Internet e seus recursos continuam atuando enquanto elementos complementares das campanhas eleitorais. Isso porque, em regra, fatores tais como uma militância mobilizada, coalizões partidárias fortes, perfil das propostas dos candidatos e, principalmente, aspectos contextuais do jogo político são aqueles mais aptos a exercerem um efeito contundente sobre o resultado das eleições. A reforçar este argumento está o fato de que não houve candidatura majoritária de partidos pequenos alavancada unicamente pelo emprego dos mecanismos de comunicação digital, por mais que, na Internet, todos tenham a mesma chance de serem acessados.
Importante dizer que tais ressalvas não visam detratar as potencialidades políticas dos media digitais, nem diminuir as iniciativas já empreendidas, mas, apenas, provocar reflexões acerca dos melhores e mais democráticos modos de se aproveitar estas oportunidades.
]]>Citação: Folha de S.Paulo – 10/11/2008
Boom de sites de campanha não explora interatividade
Número de páginas de candidatos cresce 317%, mas políticos ignoram recursos da rede
Dados são de pesquisa da UNB; para especialistas, experiências de Obama nos EUA e Gabeira no Rio podem estimular campanha on-line
ITALO NOGUEIRA
DA SUCURSAL DO RIO
A internet, terreno em que as campanhas de Barack Obama e Fernando Gabeira fizeram sucesso neste ano, é ocupada cada vez mais por candidatos, mas poucos sabem explorá-la.
Segundo pesquisa da UnB (Universidade de Brasília), houve crescimento de 317% no número de sites de candidatos no Brasil, em comparação com as últimas eleições municipais. Mas o boom não foi acompanhado da interatividade, como fizeram o presidente eleito dos EUA e o candidato derrotado à Prefeitura do Rio.
Os dois mobilizaram jovens para suas campanhas, criando “pontos de encontro” de adeptos em seus sites. As páginas tinham espaços em que voluntários organizavam ações sem a tutela dos candidatos, mas em favor deles. Eleitores de Gabeira, por exemplo, fizeram uma doação de sangue em massa, imagem que depois foi usada na campanha oficial.
O mesmo não ocorreu com os demais candidatos. Segundo estudo de Francisco Brandão, pesquisador da UnB, 9.254 candidatos a prefeito e vereador criaram sites de campanha, contra 2.218 em 2004. Mas a maioria ignorou recursos interativos, usando as páginas como “folders eletrônicos” -com fotos, textos e vídeos apenas.
A falta de legislação clara sobre propaganda na internet e o receio em descentralizar a campanha frearam, segundo especialistas, a interatividade. Neste ano, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) adotou para a internet as regras na campanha de TV e rádio, o que gerou dúvidas entre candidatos.
“Muitas vezes o candidato tem insegurança de fazer determinado evento e depois ser questionado pela Justiça Eleitoral”, diz Brandão.
Sem milagres
Especialistas afirmam que as experiências de Obama e Gabeira vão obrigar os demais a ampliar o uso de ferramentas digitais. Mas não crêem no surgimento de um fenômeno eleitoral só a partir da rede.
“Se um candidato de pouquíssima relevância usa a internet muito bem, isso não vai necessariamente alçá-lo a uma posição melhor”, diz o cientista político Francisco Paulo Jamil, da UFMG.
A pesquisa de Brandão indica justamente que a internet serviu, até agora, a candidatos com forte estrutura de campanha. A proporção de candidatos “conectados” é maior nos principais partidos e entre políticos que já exercem mandato.
“É preocupante, porque a internet pode apenas repetir distorções que existem no nosso sistema eleitoral e político. Mas mostra a força desse meio, porque os atores mais influentes já estão interessados nele”, diz.
A campanha de Obama afirma ter recebido doações de 3,1 milhões de pessoas na internet. Gabeira tentou arrecadar pela rede, mas não conseguiu autorização do TSE, que promete regulamentar esse tipo de doação para a próxima eleição.
O avanço sobre a rede tem como alvo uma fatia de 34% da população que acessa a internet, segundo o Comitê Gestor da Internet. O percentual chega a 60% entre os jovens.
Para Jamil, os candidatos com eleitorado jovem têm mais chance de “lucrar” com a internet, mas devem adequar o site. “Se o candidato defende propostas para os jovens, e esse eleitor entra no site e só há uma foto e um texto chato que está desatualizado, esse vínculo é quebrado.”
]]>Tudo foi muito diferente no Rio de Janeiro. Na eleição carioca ambientes como Youtube, Orkut, Twitter, MySpace e Flickr fizeram parte da estratégia dos postulantes à cadeira do ex-blogueiro e atual prefeito Cesar Maia. Eduardo Paes (PSDB), Solange Amaral (DEM) e Fernando Gabeira (PV) colocaram a sua campanha sem rodeios dentro da internet. Os três candidatos fizeram o que muitos colegas de outros estados gostariam de tentar, mas se sentiram impedidos diante da Resolução 22.278 do TSE.
Gabeira, Paes e Solange postaram fotos no Flick, vídeos no Youtube e comunidades no Orkut. O candidato do partido verde foi, sem dúvidas, o mais arrojado. Divulgou suas andanças pelo serviço de microblog Twitter, o software que permite atualizações por meio de telefones celulares. Solange Amaral fez na sua página um mashup, termo comum no mundo da web 2.0 que representa a união de dois serviços com o objetivo de gerar informação para os usuários. No caso da candidata democrata, ela resolveu localizar dentro do Google Maps onde moram os eleitores que visitaram seu site. Eduardo Paes montou sua galeria de fotos no Flickr, a rede social de imagens do Yahoo!.
Essas campanhas municipais de São Paulo e Rio de Janeiro são exemplos claros de que o uso da internet não pode ser regulado como tentou o TSE. Não há como impedir que os políticos dialoguem com os seus simpatizantes, e que estes utilizem as comunidades ou serviços on-line para passar as mensagens certas. Outro fato importante em relação à rede é que ela não é uma concessão pública, como rádio ou televisão e diante deste fato não pode ser submetida às mesmas regras. As pessoas pagam para ter banda larga em casa, mandar emails e freqüentar a rede. É assim que funciona o mundo 2.0
Na contramão de toda a interatividade 2.0 seguiu Marta Suplicy. Ao considerar a legislação, ela optou por ignorar a web 2.0, enquanto Kassab optou por incluí-la nos limites do seu site, como determinava a lei.
Na internet não havia espaço para o discurso dos políticos, e sim conversa com o eleitor. Para que o marketing eleitoral se transforme em Marketing Viral é necessário que haja uma interação entre a vontade do eleitor e o que serve à campanha.
Gabeira virou o nosso Obama nacional no âmbito na internet por construir uma campanha que oferecia algo que se multiplicava na rede: interação e participação do eleitor. Gabeira utilizou inúmeros recursos da web 2.0. Uma campanha bonita.
Entretanto, no campo da política, não é só de beleza que vive o marketing viral político. No segundo turno das eleições em Belo Horizonte, a internet foi um dos campos de batalha onde lutaram os dois candidatos. Na TV, no rádio e nos jornais, as alfinetadas foram, na maioria das vezes, irônicas ou veladas. Mesmo nos sites dos candidatos, os ataques foram civilizados. Mas, como na internet a autoria e a veracidade são difíceis de provar, uma onda de ataques, de ambos os lados, via e-mail, nas redes sociais e blogs, proliferam diariamente. O maior fenômeno viral ficou por conta da equipe de Márcio Lacerda, que conseguiu carregar um vídeo no youtube, com a participação do ator Tom Cavalcante imitando Leonardo Quintão. Foram quase um milhão de visualizações em pouco menos de duas semanas. Somado ao vídeo, um canal chamado Paredão do Quintão, foi criado de modo a ironizar o candidato com vídeos que apelavam para o humor e a ironia. E-mails, Twitter, blog anti-Quintão…um verdadeiro arsenal foi montado no segundo turno, na campanha do candidato do PSB, usou-se tudo aquilo que não havia sido utilizado.
Do lado do Quintão: dois blogs comunidades no Orkut, correntes de e-mail atacaram o adversário…
Já por parte dos eleitores… dois blogs “anti” cada candidato foram criados: o anti-Lacerda e o anti-Quintão. Basicamente, repassavam (não criavam) os conteúdos dos e-mails disparados diariamente pelas equipes de cada candidato. Isso sem falar nos inúmeros posts “off-topic” - fora do tema geral - postados por blogueiros comentando sobre os candidatos em seus blogs pessoais.
Também no YouTube, vídeos prós e contras para Quintão e Lacerda. Vários deles, inclusive, amadores ou de debates em universidades de BH.
Todo esse marketing virou viral, se espalhando pela rede. Na campanha do segundo turno, o tom mudou… E a campanha na internet, em ambos os lados sentiu isso. Por exemplo, o site oficial de Quintão passou a exibir, em destaque, mensagens dos eleitores-internautas.
Em suma, marketing viral na eleição resumi-se em abolir a postura de discurso em cima de palanque para uma tentativa de diálogo com o eleitor.
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Ele lançou o site change.gov, um espaço para abordar o período de transição de governo, em que as pessoas podem mandar idéias e até se candidatar para cargos. O Fantástico fez uma reportagem sobre o site, em que fala sobre o uso da internet pelo candidato e a imagem de Obama:
O governo Obama já começou: na internet. O portal se chama “escritório do presidente eleito”, e o endereço change.gov.
Quem entra, é convidado a participar. “Conte sua historia, divida conosco suas preocupações e esperanças. Idéias e sugestões serão aproveitadas”.
Além do novo portal, a equipe de Obama ocupa cada vez mais espaço nas redes sociais da internet. Além de dezenas de vídeos no You Tube, no portal Flickr há fotos intimas da família Obama nos bastidores da festa da vitória do dia 4, em Chicago. O presidente eleito aparece descontraído com a mulher Michelle e as filhas Malia e Sasha.
Ao fazer isto, Obama controla como sua imagem é vista - sem intermediação da imprensa - e, ao mesmo tempo, dá a sensação de fazer parte da vida de cada um.
O novo governo quer usar a internet para promover uma participação inédita da população no processo de mudança do país.
Obama recebeu o voto de dois terços dos jovens e quer criar para eles um novo programa de serviço comunitário, a exemplo do que o presidente John Kennedy lançou nos anos 60. Em troca de servir à nação, o jovem receberá ajuda para pagar a universidade.
A nova geração que ajudou a eleger o novo presidente já é chamada de “Geração O”, de Obama.
Eles cresceram usando a internet e as novas tecnologias como ferramentas para resolver problemas.Nada para eles parece impossível. “Sim, nós podemos” é o lema.
A matéria pode ser lida na integra aqui: Governo de Obama já começou na internet.
O fato de Obama ter um site para tratar da transição de seu governo, em que as pessoas podem mandar sugestões e participar do processo, só comprova a idéia de que o futuro presidente irá buscar interação com a população em sua administração.
Mais informações podem ser lidas no site do jornal Folha de São Paulo e no brainstorm9. Além do vídeo da reportagem do Fantástico:
Assim como os jovens foram incentivados pelo presidente eleito a participar da campanha presidencial americana por meio da web, Barack Obama quer que os americanos enviem sugestões para sua gestão.
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Nas eleições de 2006, Brasil, o Twitter já existia, mas pouquíssimos brasileiros conheciam e utilizavam esse serviço de microblogging como modo de se informar sobre o pleito. Em 2008, diferentemente, o eleitor já pôde contar com o Twitter.
Seguindo o guru das eleições na internet em 2008, Barack Obama, que criou um perfil no Twitter, Gabeira, candidato a Prefeito do Rio de Janeiro, também resolveu emitir doses diárias de 140 caracteres.
Explicar o sucesso de fenômenos que ocorrem na internet demanda a consideração de inúmeras variáveis. Talvez, uma das razões do sucesso do Twitter é justamente a simplicidade do processo. O usuário pia e os demais ouvem. Gabeira, por exemplo, piava de tudo: eventos de campanha, coisas novas no site, resultados de pesquisa, clipping dos principais jornais ou outras coisas que queria indicar para os seus eleitores.
Como no Brasil, esse tipo de ferramenta ainda encontra uma limitação geográfica, dado que a internet ainda não atingiu a população como um todo, ela serve de pedras lançadas n’água, uma vez que os pios do Twitter atingem militantes que desejam participar mais ativamente da campanha.
Já em BH, o Twitter fez parte da campanha contra o candidato Leonardo Quintão, através do perfil Anti-Quintão e Pense bem BH. Em ambos, eram veiculados textos de tempo em tempo com material contrário a candidatura do PMDBista.
O portal ClicRBS que abriga o site do Jornal Zero Hora, contou com uma página exclusiva para a corrida eleitoral em todo o Brasil, enquanto o site Eleições Ceará investiu na cobertura do que aconteceu nas campanhas de Fortaleza e outros municípios do estado.
Se fossem seguir a risca o que dizia a Resolução 22.718 do TSE, os candidatos não poderiam possuir um perfil no Twitter. Todavia, assim como o youtube, o Orkut e outras ferramentas digitais, o Twitter passou…
Bem, o Twitter é mais uma forma criativa e inovadora de se fazer a campanha eleitoral na web 2.0, pois além da interatividade, permite um índice considerável de atualizações e mensuração de quantas pessoas estão ligadas na campanha por aquele canal.
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Amigo(a),
Eu estou a prestes a ir para o Grant Park para conversar com todos que lá estão reunidos, mas eu queria escrever para você antes.
Nós acabamos de fazer história,
E eu não quero que você esqueça como nós fizemos.
Você fez história a cada dia durante essa campanha – todos os dias que você bateu nas portas, fez doações, ou falou com a sua família, amigos, e vizinhos sobre o porquê de acreditar que é a hora para a mudança.
Eu quero agradecer todos vocês que deram o seu tempo, talento, e paixão por esta campanha.
Nós temos muito trabalho a fazer para colocar nosso país de volta nos trilhos, e eu entrarei em contato em breve sobre o que está por vir.
Mas eu quero ser bem claro sobre uma coisa…
Tudo isso aconteceu por causa de você.
Obrigado,
Barack
Para ver o email em inglês, clique aqui.
Nada mais natural para um candidato que mudou a forma como a internet é utilizada em campanhas políticas. A mudança foi tanta que o The Huffington Post declarou que a grande vencedora das eleições de 2008 foi a internet.
Além dos próprios sites de candidatos existiu uma mobilização de pessoas fora da campanha oficial, em sites de apoio das mais diversas temáticas: Design for Obama, 30 razões para votar em Obama, e até formas de se escrever change.
Carlos Merigo, do Brainstorm9, fez um balanço da campanha política eleitoral na internet, nos Estados Unidos e no Brasil:
Em 2000 e 2004, a internet já despontava como organismo essencial de uma disputa eleitoral, mas nada comparado com ao que aconteceu agora, em 2008. Sendo mais específico, ao que a campanha épica do candidato Barack Obama foi capaz de fazer no ambiente online e nas novas mídias em geral, ao mesmo tempo que influenciou permanentemente a linha que divide online e offline e atingiu a cultura pop.
E mais do que simplesmente anunciar, foi uma campanha que reescreveu as regras de como atingir os eleitores, arrecadar dinheiro, organizar voluntários, monitorar e moldar a opinião pública, além de lidar com ataques políticos, muitos deles feitos por blogs que nem existiam há quatro anos atrás.
Como diz matéria no NY Times, tratou-se de iniciativas guiadas pela tecnologia, focadas no microtarget, tão engajadoras que foram capazes de envolver americanos, que nem nunca tinham votado antes, no processo eleitoral, em especial o público jovem-adulto. O que no fim das contas vai significar um recorde de comparecimento às urnas.
É óbvio que a televisão e os jornais continuam desempenhando papel importante na escolha de um presidente, mas não como antes. Se transformou em uma via altamente influenciada pela internet, ao invés do contrário. E quando Obama veiculou um comercial de 30 minutos nas três maiores emissoras de TV americanas, o fez com dinheiro arrecadado na web.
Quando se fala em 120 mil seguidores no Twitter, um grupo no Facebook com 2.3 milhões de membros e 11 milhões de views em um vídeo no YouTube, os números parecem baixos se comparados ao alcance de uma mídia de massa, mas formam uma comunidade de pessoas que fazem diferença, que são altamente multiplicadoras e influenciadoras.
Essa comunicação feita de pessoa pra pessoa construiu uma gigantesca plataforma de conteúdo que independeu da vontade de grandes grupos de mídia. Mais do que isso, provou o poder da integração, da mensagem pulverizada nos mais diferentes meios.
Por outro lado, a televisão e os jornais aprenderam grandes lições com as possibilidades da internet, produzindo conteúdo exclusivo, aproveitando o que é gerado pelas pessoas e desenvolvendo ferramentas, mapas interativos, widgets eleitorais, etc.
Alguns exemplos: mapas da CNN, Yahoo, CQ, New York Times, Washington Post. Projeto Video Your Vote do YouTube. Twitter Vote Report. Twitter Election. Google 2008 U.S. Election.
São ferramentas que permitem analisar, compartilhar, agregar, categorizar, dissecar tudo quanto é tipo de informação sobre as eleições, que além de informar estimulam a participação do usuário. Aplicativos que não eram possíveis nas eleições passadas, e hoje são parte integrante das mídias sociais.
Enquanto isso, no Brasil, sofremos do contrário. Candidatos e veículos não podem utilizar a internet para construir uma campanha e engajar eleitores, demonstrando a falta de conhecimento do meio pelos órgãos da lei. Sobre o assunto, recomendo assistir os dois blocos do Braincast TV sobre marketing político, com os convidados Marcelo Tas e Soninha Francine: Parte 1 | Parte 2.
Para ver o post completo, clique aqui: Barack Obama: O presidente que mudou mais que uma eleição.
O New York Times, antes mesmo das eleições acabarem, fez uma reportagem chamada Campaigns in a 2.0 World – Campanhas em um Mundo 2.0 – em que apontou as mudanças tecnológicas que colaboraram para a transformação das campanhas político eleitorais, além das próprias alterações na forma de se acompanhar a política. Novas tecnologias estão sempre surgindo, então quem sabe como será a campanha em 4 anos? Podemos já estar vivendo as Campanhas em um Mundo 3.0.
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No sábado, 11 de outubro, Fernando Gabeira, candidato do PV a prefeitura do Rio de Janeiro participou de entrevista e ato de campanha na Saara (Uma associação formada em 1962 pelos comerciantes de uma das mais antigas e dinâmicas áreas comerciais do Rio de Janeiro, tornou-se de tal maneira popular que passou a identificar todo o trecho do centro do Rio circundado pelas ruas dos Andradas, Buenos Aires, Alfândega e Praça da República).
O candidato (com seus assessores, a apresentadora Leda Nagle e sua filha Maya) foi cercado por jornalistas e populares. Como noticia o G1.
Não conseguimos falar com o candidato, porém Raulino Oliveira, coordenador da campanha do Gabeira na internet deu um breve depoimento sobre o assunto.
Veja mais fotos em nosso flickr.
Imagens por Luiza Baptista