Direto do Observatório: os candidatos a vereador com todo o tempo do mundo

Written by Bruno César on September 30, 2008 – 8:12 am -

Podemos dizer, até pelos exemplos analisados aqui, que mesmo na internet há uma grande diferença entre as campanhas de quem possui muitos recursos e de quem não possui. Entretanto, diferentemente das mídias de massa, a internet permite, a princípio, um ambiente democrático no qual todos os candidatos dispõem de todo o tempo do mundo para expor suas candidaturas, propostas e interagir com o eleitor. E é justamente por causa dessa característica básica, que alguns candidatos a vereador, diante dos pouquíssimos segundos que têm direito na televisão, investem tais segundos para divulgar um endereço na internet e convidar o espectador a visitá-lo com calma e conhecer melhor a candidatura.
Exemplos desse tipo de atitude não são raros. Mostrarei aqui um dos casos que conseguimos “pescar” durante o horário eleitoral gratuito aqui de Belo Horizonte.


O exemplo é o candidato Vanderlei Lourenço, que divulgou o site  www.vanderlei15900.can.br no seu tempo da TV. A navegação na página nos mostra uma estrutura básica, com Agenda, Propostas, Biografia, Blog, Imprensa e Contato. As seções de conteúdo estático, tais como Propostas e Biografia, trazem muitas informações. Na sessão imprensa, é possível fazer download de jingles e marcas da campanha.Já os links Agenda e Blog, por exemplo, indiciaram a total desatualização do site. A pergunta que surge é: já que o candidato está utilizando o site apenas como um folder on-line, por que deixar seções como Blog e Agenda, as quais denunciam a desatualização e falta de interação? Não é que é melhor se o site do candidato explorasse bem as ferramentas da Web 2.0 a campanha virtual seria melhor, isso é só uma questão de escolha estratégica, que varia de candidato para candidato, como já vimos aqui no e-leição. Até porque não sabemos qual seu público-alvo e qual o interesse desse público em interagir com os candidatos pela internet A resposta para a pergunta vem quando observamos o rodapé do site e encontramos o link para a empresa BRP - www.brpeleicoes2008.com.br - o qual se constitui em mais um lugar no qual os candidatos compram formatos prontos para suas campanhas on-line. No site da empresa, é possível ver os planos e os valores das campanhas pré-fabricadas.

Apesar dos pontos negativos mostrados aqui, a simples existência do site da candidatura de Vanderlei já nos leva a crer que os candidatos estão enxergando na internet uma oportunidade, relativamente de baixo custo, de expandir suas campanhas e de se apresentarem melhor para o eleitorado. Enquanto na televisão dispõem de menos de cinco segundos, na internet dispõem de todo o tempo do mundo. Basta o eleitor visitar o site.


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Dois contextos da internet no jogo das eleições municipais

Written by Laura Baptista on September 29, 2008 – 10:50 am -

Artigo de Carlos Castilho, postado no observatório da imprensa.

A internet está provocando nestas eleições municipais dois tipos de debate: um vinculado a questões jurídicas, constitucionais e técnicas, e outro ligado às conseqüências da exclusão digital.

As marchas e contramarchas dos tribunais na regulamentação do uso da internet aumentaram as incertezas e confirmaram aquilo que já era conhecido, ou seja, é uma missão quase impossível regular uma tecnologia radicalmente nova em matéria de comunicação usando ferramentas legais desenvolvidas noutra realidade.

A Justiça Eleitoral está diante de um dilema difícil porque a questão da internet é importante na definição da disputa pelo poder em âmbito nacional e regional. Só que nas circunstâncias atuais o debate acontece num clima político onde predominam os interesses paroquiais nas disputas pelos cargos de vereador e prefeito, nos 5.562 municípios brasileiros.

Este paradoxo coloca em evidência os diferentes contextos da internet no país, em especial quando a questão política é levada em conta. A exclusão digital joga neste ambiente um papel preponderante, mas não é só isto.

As classes A e B têm mais acesso à internet e a utilizam, prioritariamente, como instrumento para obter e disseminar informações de interesse pessoal. Neste segmento social é necessário distinguir os adultos, que usam pouco a rede como ferramenta para a interatividade, dos jovens, cujo maior interesse na rede é justamente o lado social.

Em matéria de política, as diferenças não são menos intensas. O grande diferencial da rede como ferramenta de promoção de ações coletivas funciona mal entre os adultos das classes A e B porque eles são individualistas, e é o grande atrativo no ambiente mais jovem, onde a política é malvista.

Numa eleição municipal, o principal papel da internet seria o de funcionar como articulador de interesses comunitários graças à interatividade, seu principal diferencial em relação aos demais canais de comunicação. A questão comunitária é especialmente relevante nas classes C e D porque a ação coletiva é a grande ferramenta que este segmento social dispõe para compensar sua debilidade econômica, em matéria de ação política.

Mas como a exclusão digital atinge de forma mais intensa justamente as classes C e D, isso acaba fazendo com que elas não possam usar a principal vantagem que a internet poderia lhes oferecer: a formação de comunidades usando ferramentas digitais. Esta é uma das principais razões da baixa utilização da rede nas campanhas de vereadores e prefeitos, na maioria das cidades brasileiras.

Nas capitais ainda é possível ver alguns candidatos usando o horário eleitoral gratuito para promover suas páginas web onde detalham seus programas políticos. Mas são raríssimos os que dialogam com eleitores usando a interatividade dos chats, fóruns e comentários.

Como os jovens das classes A e B fogem da política, e como a exclusão digital inviabiliza seu uso pelas classes C e D, a internet brasileira ainda é um território quase privativo do jogo do poder na esfera nacional e estadual.


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A Incipiente campanha eleitoral pela internet

Written by Adilson Silvestre on September 27, 2008 – 9:54 pm -

Muitos políticos tem usado a internet como um meio para se relacionarem com seus eleitores, políticos como César Maia, prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, e o Deputado Federal pelo Rio de Janeiro, Fernando Gabeira e uma das questões que surgem quando deparamos com tal fenômeno é quanto “a força crescente da internet, nas campanhas eleitoras, mas que ainda uma influência é limitada, mesmo que crescente”, assim nos explica Rodrigo Mendes Ribeiro. Em seu livro Marketing Político o poder da estratégia nas campanhas eleitorais, Rodrigo Mendes Ribeiro, sociólogo e mestre em ciência política pela UFMG, Diretor do Instituto Nexus – Centro de Informação Estratégica, esclarece de forma bem acessível a quem inicia-se neste assunto, os fundamentos e as aplicações do marketing político em campanhas tradicionais. Após trocarmos alguns e-mails, conseguimos extrair algumas de suas opiniões acerca do tema internet e campanha eleitoral. Ribeiro inicia sua avaliação pontuando o que pensa sobre o assunto e esclarece que “a base sócio-econômica (acessos à rede e a computador) e de escolaridade (cognição) da população brasileira ainda não permite que a internet seja uma mídia de massa, sobretudo nas regiões mais pobres, como o Nordeste”. Este cenário é possivelmente o que caracteriza bem a condição ainda incipiente do uso da internet em campanhas políticas no Brasil. Contudo, como a utilização é crescente e o cenário que ora assistimos tende a mudar a medida em que o acesso a internet torna-se efetivo a camadas da população ainda não assistidas por este meio ou ainda, o aumento do número de computadores em regiões mais carentes do país. Para Ribeiro, no entanto, “a internet como mídia segmentada (para atingir classe alta e de maior escolaridade) já tem uma grande importância. Os jovens também têm na internet uma fonte essencial de informações. Na campanha do referendo das armas percebeu-se um uso importante da internet para difusão de informações, tanto da parte dos partidários do SIM, quanto do NÃO. Ela faz as informações chegarem aos “formadores de opinião” e, a partir deles, a informação vai sendo difundida (teoria do processo de cascata de formação de opinião) para as outras esferas da sociedade”. Perguntamos a ele então, como a legislação que regula a prática do uso da internet pelos candidatos interfere na criação de sites e na divulgação da imagem do candidato. Nesse ponto Ribeiro foi sucinto e resumiu bem seu ponto de vista, para ele, “no geral, a internet é um campo mais aberto, menos sujeito as limitações impostas pela legislação eleitoral”. É possível então supor que qualquer limitação do uso da internet por parte dos candidatos é com certeza de ordem pessoal e ou estratégica e menos por imposição de regras por parte do TSE.


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