O Presidente 2.0
Escrito por Laura Baptista em November 6, 2008 – 10:00 pm -No dia 4 de novembro, assim que as últimas pesquisas comprovaram a vitória de Barack Obama nas eleições, começou uma espera pelas primeiras palavras do novo presidente eleito dos Estados Unidos. Milhares de pessoas aguardavam no Grant Park, em Chicago, além dos milhões que assistiam pela TV no mundo todo. Mas as primeiras palavras do Presidente Barack Obama foram enviadas pela internet. O seguinte email foi enviado a todos os cadastrados e colaboradores da campanha:
Amigo(a),
Eu estou a prestes a ir para o Grant Park para conversar com todos que lá estão reunidos, mas eu queria escrever para você antes.
Nós acabamos de fazer história,
E eu não quero que você esqueça como nós fizemos.
Você fez história a cada dia durante essa campanha – todos os dias que você bateu nas portas, fez doações, ou falou com a sua família, amigos, e vizinhos sobre o porquê de acreditar que é a hora para a mudança.
Eu quero agradecer todos vocês que deram o seu tempo, talento, e paixão por esta campanha.
Nós temos muito trabalho a fazer para colocar nosso país de volta nos trilhos, e eu entrarei em contato em breve sobre o que está por vir.
Mas eu quero ser bem claro sobre uma coisa…
Tudo isso aconteceu por causa de você.
Obrigado,
Barack
Para ver o email em inglês, clique aqui.
Nada mais natural para um candidato que mudou a forma como a internet é utilizada em campanhas políticas. A mudança foi tanta que o The Huffington Post declarou que a grande vencedora das eleições de 2008 foi a internet.
Além dos próprios sites de candidatos existiu uma mobilização de pessoas fora da campanha oficial, em sites de apoio das mais diversas temáticas: Design for Obama, 30 razões para votar em Obama, e até formas de se escrever change.
Carlos Merigo, do Brainstorm9, fez um balanço da campanha política eleitoral na internet, nos Estados Unidos e no Brasil:
Em 2000 e 2004, a internet já despontava como organismo essencial de uma disputa eleitoral, mas nada comparado com ao que aconteceu agora, em 2008. Sendo mais específico, ao que a campanha épica do candidato Barack Obama foi capaz de fazer no ambiente online e nas novas mídias em geral, ao mesmo tempo que influenciou permanentemente a linha que divide online e offline e atingiu a cultura pop.
E mais do que simplesmente anunciar, foi uma campanha que reescreveu as regras de como atingir os eleitores, arrecadar dinheiro, organizar voluntários, monitorar e moldar a opinião pública, além de lidar com ataques políticos, muitos deles feitos por blogs que nem existiam há quatro anos atrás.
Como diz matéria no NY Times, tratou-se de iniciativas guiadas pela tecnologia, focadas no microtarget, tão engajadoras que foram capazes de envolver americanos, que nem nunca tinham votado antes, no processo eleitoral, em especial o público jovem-adulto. O que no fim das contas vai significar um recorde de comparecimento às urnas.
É óbvio que a televisão e os jornais continuam desempenhando papel importante na escolha de um presidente, mas não como antes. Se transformou em uma via altamente influenciada pela internet, ao invés do contrário. E quando Obama veiculou um comercial de 30 minutos nas três maiores emissoras de TV americanas, o fez com dinheiro arrecadado na web.
Quando se fala em 120 mil seguidores no Twitter, um grupo no Facebook com 2.3 milhões de membros e 11 milhões de views em um vídeo no YouTube, os números parecem baixos se comparados ao alcance de uma mídia de massa, mas formam uma comunidade de pessoas que fazem diferença, que são altamente multiplicadoras e influenciadoras.
Essa comunicação feita de pessoa pra pessoa construiu uma gigantesca plataforma de conteúdo que independeu da vontade de grandes grupos de mídia. Mais do que isso, provou o poder da integração, da mensagem pulverizada nos mais diferentes meios.
Por outro lado, a televisão e os jornais aprenderam grandes lições com as possibilidades da internet, produzindo conteúdo exclusivo, aproveitando o que é gerado pelas pessoas e desenvolvendo ferramentas, mapas interativos, widgets eleitorais, etc.
Alguns exemplos: mapas da CNN, Yahoo, CQ, New York Times, Washington Post. Projeto Video Your Vote do YouTube. Twitter Vote Report. Twitter Election. Google 2008 U.S. Election.
São ferramentas que permitem analisar, compartilhar, agregar, categorizar, dissecar tudo quanto é tipo de informação sobre as eleições, que além de informar estimulam a participação do usuário. Aplicativos que não eram possíveis nas eleições passadas, e hoje são parte integrante das mídias sociais.
Enquanto isso, no Brasil, sofremos do contrário. Candidatos e veículos não podem utilizar a internet para construir uma campanha e engajar eleitores, demonstrando a falta de conhecimento do meio pelos órgãos da lei. Sobre o assunto, recomendo assistir os dois blocos do Braincast TV sobre marketing político, com os convidados Marcelo Tas e Soninha Francine: Parte 1 | Parte 2.
Para ver o post completo, clique aqui: Barack Obama: O presidente que mudou mais que uma eleição.
O New York Times, antes mesmo das eleições acabarem, fez uma reportagem chamada Campaigns in a 2.0 World – Campanhas em um Mundo 2.0 – em que apontou as mudanças tecnológicas que colaboraram para a transformação das campanhas político eleitorais, além das próprias alterações na forma de se acompanhar a política. Novas tecnologias estão sempre surgindo, então quem sabe como será a campanha em 4 anos? Podemos já estar vivendo as Campanhas em um Mundo 3.0.
Tags: Blog, campanha, Eleições Americanas, internet, política, site, web 2.0
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November 6th, 2008 at 10:03 pm
YES WE CAN!
November 6th, 2008 at 10:21 pm
YEAH WE DO!
November 6th, 2008 at 10:30 pm
melhor discurso ever
chorei oceanos aqui
November 6th, 2008 at 10:41 pm
CHANGE.
Obama did it.
Em vários sentidos, incluindo as campanhas eleitorais.
O que é legal considerando que CHANGE é a palavra chave da campanha dele.
November 6th, 2008 at 10:45 pm
Obama não me decepcionou! rsrsrsrs
November 13th, 2008 at 10:21 pm
não foi atoa que Obama foi escolhido o “anunciante do ano” pela Advertising Age. Obama é o cara! =)
November 13th, 2008 at 10:47 pm
Obama deve muito a internet. E a retribuição foi mais que justa. è interessante que os candidatos, vencedores ou não, continuem na internet. de que adianta aparecer a cada 2 ou 4 anos? o blog já mostrou em posts anteriores que alguns candidatos retiraram os sites do ar depois do primeiro turno. Isso é ter consideração com o eleitor? Pra mim não é.