Marketing Viral & Campanha Eleitoral - Como, no tempo da web 2.0, se faz marketing viral na campanha eleitoral à luz de legislação brasileira

Escrito por Gabriel de Azevedo em November 12, 2008 – 8:58 pm -

Dizia o latim que: Dura Lex, Sed Lex. De fato, a lei é dura, mas nem sempre é seguida de maneira tão rígida. A prova ficou registrada em algumas campanhas do País. Em São Paulo, as determinações do TSE proibindo qualquer tipo de ação na internet que extrapolasse os limites das páginas oficiais dos candidatos foi cumprida sem questionamentos. Marta Suplicy, do PT, lançou um site sem grandes apelos de interatividade. O atual prefeito e candidato eleito Gilberto Kassab (DEM) tentou inovar sem sair dos limites da legislação, que levou Geraldo Alckmin (PSDB) a suspender a veiculação de vídeos do Youtube em sua página por determinação do TRE paulista.

Tudo foi muito diferente no Rio de Janeiro. Na eleição carioca ambientes como Youtube, Orkut, Twitter, MySpace e Flickr fizeram parte da estratégia dos postulantes à cadeira do ex-blogueiro e atual prefeito Cesar Maia. Eduardo Paes (PSDB), Solange Amaral (DEM) e Fernando Gabeira (PV) colocaram a sua campanha sem rodeios dentro da internet. Os três candidatos fizeram o que muitos colegas de outros estados gostariam de tentar, mas se sentiram impedidos diante da Resolução 22.278 do TSE.

Gabeira, Paes e Solange postaram fotos no Flick, vídeos no Youtube e comunidades no Orkut. O candidato do partido verde foi, sem dúvidas, o mais arrojado. Divulgou suas andanças pelo serviço de microblog Twitter, o software que permite atualizações por meio de telefones celulares. Solange Amaral fez na sua página um mashup, termo comum no mundo da web 2.0 que representa a união de dois serviços com o objetivo de gerar informação para os usuários. No caso da candidata democrata, ela resolveu localizar dentro do Google Maps onde moram os eleitores que visitaram seu site. Eduardo Paes montou sua galeria de fotos no Flickr, a rede social de imagens do Yahoo!.

Essas campanhas municipais de São Paulo e Rio de Janeiro são exemplos claros de que o uso da internet não pode ser regulado como tentou o TSE. Não há como impedir que os políticos dialoguem com os seus simpatizantes, e que estes utilizem as comunidades ou serviços on-line para passar as mensagens certas. Outro fato importante em relação à rede é que ela não é uma concessão pública, como rádio ou televisão e diante deste fato não pode ser submetida às mesmas regras. As pessoas pagam para ter banda larga em casa, mandar emails e freqüentar a rede. É assim que funciona o mundo 2.0

Na contramão de toda a interatividade 2.0 seguiu Marta Suplicy. Ao considerar a legislação, ela optou por ignorar a web 2.0, enquanto Kassab optou por incluí-la nos limites do seu site, como determinava a lei.

Na internet não havia espaço para o discurso dos políticos, e sim conversa com o eleitor. Para que o marketing eleitoral se transforme em Marketing Viral é necessário que haja uma interação entre a vontade do eleitor e o que serve à campanha.

Gabeira virou o nosso Obama nacional no âmbito na internet por construir uma campanha que oferecia algo que se multiplicava na rede: interação e participação do eleitor. Gabeira utilizou inúmeros recursos da web 2.0. Uma campanha bonita.

Entretanto, no campo da política, não é só de beleza que vive o marketing viral político. No segundo turno das eleições em Belo Horizonte, a internet foi um dos campos de batalha onde lutaram os dois candidatos. Na TV, no rádio e nos jornais, as alfinetadas foram, na maioria das vezes, irônicas ou veladas. Mesmo nos sites dos candidatos, os ataques foram civilizados. Mas, como na internet a autoria e a veracidade são difíceis de provar, uma onda de ataques, de ambos os lados, via e-mail, nas redes sociais e blogs, proliferam diariamente. O maior fenômeno viral ficou por conta da equipe de Márcio Lacerda, que conseguiu carregar um vídeo no youtube, com a participação do ator Tom Cavalcante imitando Leonardo Quintão. Foram quase um milhão de visualizações em pouco menos de duas semanas. Somado ao vídeo, um canal chamado Paredão do Quintão, foi criado de modo a ironizar o candidato com vídeos que apelavam para o humor e a ironia. E-mails, Twitter, blog anti-Quintão…um verdadeiro arsenal foi montado no segundo turno, na campanha do candidato do PSB, usou-se tudo aquilo que não havia sido utilizado.

Do lado do Quintão: dois blogs comunidades no Orkut, correntes de e-mail atacaram o adversário…

Já por parte dos eleitores… dois blogs “anti” cada candidato foram criados: o anti-Lacerda e o anti-Quintão. Basicamente, repassavam (não criavam) os conteúdos dos e-mails disparados diariamente pelas equipes de cada candidato. Isso sem falar nos inúmeros posts “off-topic” - fora do tema geral - postados por blogueiros comentando sobre os candidatos em seus blogs pessoais.

Também no YouTube, vídeos prós e contras para Quintão e Lacerda. Vários deles, inclusive, amadores ou de debates em universidades de BH.

Todo esse marketing virou viral, se espalhando pela rede. Na campanha do segundo turno, o tom mudou… E a campanha na internet, em ambos os lados sentiu isso. Por exemplo, o site oficial de Quintão passou a exibir, em destaque, mensagens dos eleitores-internautas.

Em suma, marketing viral na eleição resumi-se em abolir a postura de discurso em cima de palanque para uma tentativa de diálogo com o eleitor.


Tags: , , , , ,
Postado em Interatividade, Produção de Campanha, eleições |

Leave a Comment