Internet e Eleições

Written by Laura Baptista on November 21, 2008 – 11:08 am -

Post escrito pelo professor Francisco Paulo Jamil Almeida Marques, da Universidade Federal de Minas Gerais.

Ainda que haja uma série de problemas e críticas quanto ao emprego político dos new media, presume-se, em um conjunto considerável de referências bibliográficas, que os mecanismos de comunicação potencializados pela Internet poderiam ser uma resposta plausível para problemas inerentes ao fazer democrático. Ao abrir caminho para a consecução de ferramentas voltadas para reverter a apatia dos cidadãos, ao incrementar as iniciativas de transparência governamental ou ao fomentar a lide com uma plataforma de comunicação dificilmente manipulável em toda sua extensão por um grupo específico (seja ele político ou econômico), aufere-se aos dispositivos de comunicação digital um caráter predominantemente democrático. A discussão sintetizada às potencialidades e aos limites dos novos suportes comunicacionais, porém, não parece ser a mais frutífera, visto que, para se aperfeiçoar a democracia, é indispensável verificar se os instrumentos à disposição vêm, efetivamente, sendo empregados.

Especificamente no que concerne às eleições, percebe-se um uso cada vez mais relevante dos media digitais por parte dos candidatos. Este não é, necessariamente, um fenômeno novo. Já há alguns pleitos, os partidos e os concorrentes a cargos eletivos vêm lançando mão dos recursos de Internet para organizar a militância, aprofundar propostas que não puderam ser integralmente expostas no horário gratuito de propaganda eleitoral ou, ainda, promover ataques a adversários. O ineditismo fica por conta daquelas iniciativas mais ousadas cujo intento é envolver, de fato, os cidadãos no processo eleitoral. Nesse sentido, o esforço recente das candidaturas de Barack Obama e de Fernando Gabeira geraram grande repercussão graças à promoção de oportunidades de participação política. Estas experiências demonstraram que atividades como a arrecadação de fundos ou a arregimentação de voluntários se tornaram, sem dúvidas, mais facilmente factíveis por conta dos atalhos comunicacionais propiciados pela estrutura em rede da comunicação mediada por computador.

No entanto, há algumas ressalvas que provocam um olhar mais cauteloso sobre os modos através dos quais são promovidas as campanhas na Era digital. Primeiramente, considere-se o público ao qual estas iniciativas são direcionadas. Em universos diminutos, a contarem com uma quantidade de poucos milhares de eleitores, por exemplo, o essencial ainda parece ser o contato direto do candidato com os cidadãos. Isto significa que os investimentos em comunicação digital tendem a ser mais eficazes em contextos ampliados de disputa (e, sobretudo, em eleições majoritárias).

Em segundo lugar, questiona-se o perfil da participação que é proporcionada pelos websites dos candidatos, mesmo aqueles mais audazes do ponto de vista da comunicação política. Ou seja, quanto realmente vale a oportunidade de participar apenas através da publicação de um comentário no blog do candidato? Será suficiente para influenciar as disposições e opiniões dos candidatos o envio de e-mails com propostas? Ainda que o candidato se diga influenciado, observe-se que, das sugestões enviadas pelos cidadãos quando das contendas eleitorais até a efetiva elaboração, discussão e implementação das políticas públicas, vai um longo caminho.

Ligada a esta última dúvida, surge um terceiro senão. Ele indica que é preciso enxergar o jogo político para além dos períodos eleitorais. Ou seja, uma vez passado o pleito, que tipo de emprego será conferido às ferramentas de comunicação digital quando da condução cotidiana da coisa pública? Quais seriam as formas mais eficazes de se reforçar o caráter republicano das instituições do Estado?

Por último, fica a impressão de que a Internet e seus recursos continuam atuando enquanto elementos complementares das campanhas eleitorais. Isso porque, em regra, fatores tais como uma militância mobilizada, coalizões partidárias fortes, perfil das propostas dos candidatos e, principalmente, aspectos contextuais do jogo político são aqueles mais aptos a exercerem um efeito contundente sobre o resultado das eleições. A reforçar este argumento está o fato de que não houve candidatura majoritária de partidos pequenos alavancada unicamente pelo emprego dos mecanismos de comunicação digital, por mais que, na Internet, todos tenham a mesma chance de serem acessados.

Importante dizer que tais ressalvas não visam detratar as potencialidades políticas dos media digitais, nem diminuir as iniciativas já empreendidas, mas, apenas, provocar reflexões acerca dos melhores e mais democráticos modos de se aproveitar estas oportunidades.


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Entrevista com Bertha Maakaroun parte 3

Written by Adilson Silvestre on November 16, 2008 – 6:09 pm -


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Governo 2.0

Written by Laura Baptista on November 12, 2008 – 8:54 pm -

Depois de uma campanha com grande apelo na internet, Barack Obama mostrou que seu governo também irá aproveitar os recursos da rede.

Ele lançou o site change.gov, um espaço para abordar o período de transição de governo, em que as pessoas podem mandar idéias e até se candidatar para cargos. O Fantástico fez uma reportagem sobre o site, em que fala sobre o uso da internet pelo candidato e a imagem de Obama:

O governo Obama já começou: na internet. O portal se chama “escritório do presidente eleito”, e o endereço change.gov.

Quem entra, é convidado a participar. “Conte sua historia, divida conosco suas preocupações e esperanças. Idéias e sugestões serão aproveitadas”.

Além do novo portal, a equipe de Obama ocupa cada vez mais espaço nas redes sociais da internet. Além de dezenas de vídeos no You Tube, no portal Flickr há fotos intimas da família Obama nos bastidores da festa da vitória do dia 4, em Chicago. O presidente eleito aparece descontraído com a mulher Michelle e as filhas Malia e Sasha.

Ao fazer isto, Obama controla como sua imagem é vista - sem intermediação da imprensa - e, ao mesmo tempo, dá a sensação de fazer parte da vida de cada um.

O novo governo quer usar a internet para promover uma participação inédita da população no processo de mudança do país.

Obama recebeu o voto de dois terços dos jovens e quer criar para eles um novo programa de serviço comunitário, a exemplo do que o presidente John Kennedy lançou nos anos 60. Em troca de servir à nação, o jovem receberá ajuda para pagar a universidade.

A nova geração que ajudou a eleger o novo presidente já é chamada de “Geração O”, de Obama.
Eles cresceram usando a internet e as novas tecnologias como ferramentas para resolver problemas.

Nada para eles parece impossível. “Sim, nós podemos” é o lema.

A matéria pode ser lida na integra aqui: Governo de Obama já começou na internet.

O fato de Obama ter um site para tratar da transição de seu governo, em que as pessoas podem mandar sugestões e participar do processo, só comprova a idéia de que o futuro presidente irá buscar interação com a população em sua administração.

Mais informações podem ser lidas no site do jornal Folha de São Paulo e no brainstorm9. Além do vídeo da reportagem do Fantástico:

Assim como os jovens foram incentivados pelo presidente eleito a participar da campanha presidencial americana por meio da web, Barack Obama quer que os americanos enviem sugestões para sua gestão.


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