Posts Tagged ‘sites’
McCain x Obama: Os blogueiros e os candidatos.
Written by Path Tôrres on September 17, 2008 – 1:24 am -Nos Estados Unidos e no mundo todo, a internet e a web 2.0 podiam parecer, primeiramente, inimigas da política, à medida que davam uma transparência perigosa aos candidatos. Os usuários do palanque, no entanto, decidiram utilizar-se da ferramenta, e viraram eles mesmos o que chamamos de “candidatos 2.0″ - candidatos que usam da web 2.0 para advertir suas campanhas, e garantir sua interatividade com os futuros eleitores através de identidades virtuais.
Em se tratando dos candidatos, John McCain e Barack Obama parecem bem à vontade com o novo estilo de campanha, e seus blogs também parecem estar bem à vontade com o novo público que atingiram. Analisando os espaços virtuais de ambos, apesar das semelhanças graças ao formato do blog e à categoria de seu conteúdo, notam-se algumas diferenças que evidenciam as posturas de cada um dos rivais americanos. O blog permite ao candidato expor as ambições de suas propostas de maneira não muito formal, e é um espaço que pode ser constantemente atualizado a fim de manter a população americana (e, é claro, curiosos do restante do mundo) a par dos compromissos, responsabilidades, e promessas daqueles que poderão governar o país. Podemos considerar o blog como um diário online, que no caso de McCain e Obama serve para orientar qualquer usuário da internet a respeito das intenções dos candidatos, das conferências as quais atendem e os programas e instituições que apóiam; além de divulgarem fotos e vídeos de qualquer coisa que possa ser relacionada à campanha. Uma vantagem do blog é também - além de sua visibilidade e contato com um novo tipo de público - sua interatividade e capacidade de divulgação espontânea. Esse modelo de site permite que usuários façam seus comentários e sejam respondidos quando questionando alguma postagem ou vídeo.

No blog de Barack Obama, por exemplo, permite-se um cadastro, e, uma vez cadastrado, o usuário do blog receberá e-mails pedindo contribuições financeiras, divulgando vídeos, anunciando produtos da campanha (como camisetas, bonés, e etc), convidando a eventos, e contendo material publicitário e citações de discursos. Além disso, é possível baixar através do site conteúdo exclusivo do candidato, como toques de celular, screensavers e fundos de tela. O recurso, apesar de novo, parece muito válido para os americanos, já que é do feitio dos EUA ter uma visão muito patriótica com relação à política e às conquistas do país. É importante analisar o blog de Obama à medida que ele é uma tentativa de reprodução do caráter do candidato à presidência, o que fica evidente nas citações e frases de efeitos distribuídas pela página, assim como é evidente na escolha dos recursos do site.
Na página principal existe um mapa do país, e, quando se clica num estado, são listadas todas as ações pró-Obama que estão sendo feitas na região. Isso facilita para qualquer estadunidense que queira se juntar ao movimento democrata, já que coloca a vista todo grupo político passível de penetração.

É claro que não faltam nas páginas de “Obama 2.0″ agradecimentos e citações à senadora Hillary Clinton, ex-candidata que decidiu renunciar a ambição pela presidência e apoiar o democrata. Também no blog de Obama estão disponíveis links de outros blogs, de cidadãos que apóiam sua campanha, o que demonstraria um lado menos mecânico do mesmo, e demonstraria uma tentativa de proximidade com o público eleitor.

Todavia, como a página de entrada e os posts do blog são sempre a respeito da candidatura em si, o blog pode ser considerado um tanto impessoal. Não se vê Obama como nada além de um candidato à presidência.
Assim sendo, podemos considerar Barack Obama um candidato 2.0, à medida que ele abusa dos recursos de interatividade do blog para estar mais perto do candidato. Entre os sites linkados ao blog, temos o Youtube, o MySpace e o FaceBook, sites que são classificados como os mais populares da web 2.0, permitindo total diálogo com o usuário e criando perfis individualizados. Inclusive, “Obama 2.0″ permite que o internauta crie seu próprio blog, com recursos semelhantes aos do blogspot.
Abordando o rival McCain, a princípio poderíamos dizer que, reunindo comentários de usuários dos blogs dos dois candidatos, o blog de McCain recebe comentários e elogios que nem sempre são direcionados ao candidato em si, mas mais ao site e ao ser humano John McCain.

Aparentemente ele apostou no lado contrário de Obama, tentando se humanizar mais do que se virtualizar. O blog de John McCain não gira somente em torno dos turnos de Novembro, o que poderia aumentar sua vida útil. Ele fala sobre atualidades, economia, saúde, o Iraque (que é um dos links do site), energia, e etc. McCain parece tentar discutir a situação do país para que possa se posicionar sobre elas, enquanto Obama parece fazer o contrário (fala sobre si para depois chegar a relacionar com os EUA). Claro que o blog de McCain não deixa nada a desejar quando comparado ao de Obama, oferecendo também um cadastro (e atualizações por e-mail), contendo links de comunidades, convidando a eventos, e postando qualquer novidade a respeito do veterano de guerra.
Vasculhando blogs alheios aos dos políticos, a opinião mais forte a respeito do blog de McCain é que ele é gostável mesmo para os que não são republicanos. O blog “McCain 2008″ faz abordagens interessantes até pra quem não vai votar nele, e o republicano aposta inclusive no senso de humor para atingir o público norte-americano. Na página principal do site de John McCain, existe um joguinho, chamado “Pork Invaders” (”Invasores Porcos”) em que vários porquinhos voam pela tela e você (representado por uma singela logo do candidato) tem que destruí-los. Se você derrotar os porquinhos, aparece uma tela com notícias sobre McCain e Obama. E, graças à sagacidade de McCain, a notícia favorece a ele próprio, e acaba enegrecendo ainda mais o concorrente Obama.

Se a nova maneira de interagir com os eleitores terá sucesso ou não, só cabe aos resultados das eleições dizer, e talvez mesmo assim seja difícil discernir qual crédito cabe aos palanques virtuais.
Tags: campanha, Eleições Americanas, estados unidos, sites, web 2.0
Postado em Eleições Americanas | Sem Comentários »





