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Folha de S. Paulo e E-leição: conclusões convergentes
Written by Bruno César on November 13, 2008 – 8:23 pm -A reportagem da Folha de S. Paulo, da edição do dia 10 de novembro, intitulada “Boom de sites de campanha não explora interatividade”, que você encontra na íntegra abaixo, corrobora muitas questões importantes já manifestadas por nós aqui no blog, em função do acompanhamento que fizemos das campanhas político eleitorais. Os exemplos destacados pela Folha de S. Paulo são justamente casos que discutimos amplamente aqui, o presidente americano Barack Obama e o candidato à prefeitura do Rio, Fernando Gabeira. A reportagem mostra como esses dois candidatos conseguiram criar um espaço on-line propício à discussão e à organização espontânea de muitos eleitores a favor de suas respectivas campanhas. A manchete “Boom de sites de campanha não explora interatividade” mostra, também como constatamos com nossa pesquisa acadêmica, que grande parte dos candidatos a prefeito a vereador apenas utilizaram a internet para marcar presença, apelando para folders eletrônicos, conteúdos estáticos e sem qualquer interatividade. Isso fez com que tais campanhas on-line perdessem totalmente a força, num contexto em que a web 2.0 mostra recursos poderosos junto a muitos públicos – principalmente o jovem – os quais são decisivos para os resultados das eleições. Só para constar uma curiosidade, o professor Jamil, que havíamos entrevistado para o Blog E-leição, também falou para a reportagem da Folha de São Paulo, como você pode ver abaixo.
Citação: Folha de S.Paulo – 10/11/2008
Boom de sites de campanha não explora interatividade
Número de páginas de candidatos cresce 317%, mas políticos ignoram recursos da rede
Dados são de pesquisa da UNB; para especialistas, experiências de Obama nos EUA e Gabeira no Rio podem estimular campanha on-line
ITALO NOGUEIRA
DA SUCURSAL DO RIO
A internet, terreno em que as campanhas de Barack Obama e Fernando Gabeira fizeram sucesso neste ano, é ocupada cada vez mais por candidatos, mas poucos sabem explorá-la.
Segundo pesquisa da UnB (Universidade de Brasília), houve crescimento de 317% no número de sites de candidatos no Brasil, em comparação com as últimas eleições municipais. Mas o boom não foi acompanhado da interatividade, como fizeram o presidente eleito dos EUA e o candidato derrotado à Prefeitura do Rio.
Os dois mobilizaram jovens para suas campanhas, criando “pontos de encontro” de adeptos em seus sites. As páginas tinham espaços em que voluntários organizavam ações sem a tutela dos candidatos, mas em favor deles. Eleitores de Gabeira, por exemplo, fizeram uma doação de sangue em massa, imagem que depois foi usada na campanha oficial.
O mesmo não ocorreu com os demais candidatos. Segundo estudo de Francisco Brandão, pesquisador da UnB, 9.254 candidatos a prefeito e vereador criaram sites de campanha, contra 2.218 em 2004. Mas a maioria ignorou recursos interativos, usando as páginas como “folders eletrônicos” -com fotos, textos e vídeos apenas.
A falta de legislação clara sobre propaganda na internet e o receio em descentralizar a campanha frearam, segundo especialistas, a interatividade. Neste ano, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) adotou para a internet as regras na campanha de TV e rádio, o que gerou dúvidas entre candidatos.
“Muitas vezes o candidato tem insegurança de fazer determinado evento e depois ser questionado pela Justiça Eleitoral”, diz Brandão.
Sem milagres
Especialistas afirmam que as experiências de Obama e Gabeira vão obrigar os demais a ampliar o uso de ferramentas digitais. Mas não crêem no surgimento de um fenômeno eleitoral só a partir da rede.
“Se um candidato de pouquíssima relevância usa a internet muito bem, isso não vai necessariamente alçá-lo a uma posição melhor”, diz o cientista político Francisco Paulo Jamil, da UFMG.
A pesquisa de Brandão indica justamente que a internet serviu, até agora, a candidatos com forte estrutura de campanha. A proporção de candidatos “conectados” é maior nos principais partidos e entre políticos que já exercem mandato.
“É preocupante, porque a internet pode apenas repetir distorções que existem no nosso sistema eleitoral e político. Mas mostra a força desse meio, porque os atores mais influentes já estão interessados nele”, diz.
A campanha de Obama afirma ter recebido doações de 3,1 milhões de pessoas na internet. Gabeira tentou arrecadar pela rede, mas não conseguiu autorização do TSE, que promete regulamentar esse tipo de doação para a próxima eleição.
O avanço sobre a rede tem como alvo uma fatia de 34% da população que acessa a internet, segundo o Comitê Gestor da Internet. O percentual chega a 60% entre os jovens.
Para Jamil, os candidatos com eleitorado jovem têm mais chance de “lucrar” com a internet, mas devem adequar o site. “Se o candidato defende propostas para os jovens, e esse eleitor entra no site e só há uma foto e um texto chato que está desatualizado, esse vínculo é quebrado.”
Tags: campanha, candidatos, TSE, web 2.0
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Marketing Viral & Campanha Eleitoral - Como, no tempo da web 2.0, se faz marketing viral na campanha eleitoral à luz de legislação brasileira
Written by Gabriel de Azevedo on November 12, 2008 – 8:58 pm -Dizia o latim que: Dura Lex, Sed Lex. De fato, a lei é dura, mas nem sempre é seguida de maneira tão rígida. A prova ficou registrada em algumas campanhas do País. Em São Paulo, as determinações do TSE proibindo qualquer tipo de ação na internet que extrapolasse os limites das páginas oficiais dos candidatos foi cumprida sem questionamentos. Marta Suplicy, do PT, lançou um site sem grandes apelos de interatividade. O atual prefeito e candidato eleito Gilberto Kassab (DEM) tentou inovar sem sair dos limites da legislação, que levou Geraldo Alckmin (PSDB) a suspender a veiculação de vídeos do Youtube em sua página por determinação do TRE paulista.
Tudo foi muito diferente no Rio de Janeiro. Na eleição carioca ambientes como Youtube, Orkut, Twitter, MySpace e Flickr fizeram parte da estratégia dos postulantes à cadeira do ex-blogueiro e atual prefeito Cesar Maia. Eduardo Paes (PSDB), Solange Amaral (DEM) e Fernando Gabeira (PV) colocaram a sua campanha sem rodeios dentro da internet. Os três candidatos fizeram o que muitos colegas de outros estados gostariam de tentar, mas se sentiram impedidos diante da Resolução 22.278 do TSE.
Gabeira, Paes e Solange postaram fotos no Flick, vídeos no Youtube e comunidades no Orkut. O candidato do partido verde foi, sem dúvidas, o mais arrojado. Divulgou suas andanças pelo serviço de microblog Twitter, o software que permite atualizações por meio de telefones celulares. Solange Amaral fez na sua página um mashup, termo comum no mundo da web 2.0 que representa a união de dois serviços com o objetivo de gerar informação para os usuários. No caso da candidata democrata, ela resolveu localizar dentro do Google Maps onde moram os eleitores que visitaram seu site. Eduardo Paes montou sua galeria de fotos no Flickr, a rede social de imagens do Yahoo!.
Essas campanhas municipais de São Paulo e Rio de Janeiro são exemplos claros de que o uso da internet não pode ser regulado como tentou o TSE. Não há como impedir que os políticos dialoguem com os seus simpatizantes, e que estes utilizem as comunidades ou serviços on-line para passar as mensagens certas. Outro fato importante em relação à rede é que ela não é uma concessão pública, como rádio ou televisão e diante deste fato não pode ser submetida às mesmas regras. As pessoas pagam para ter banda larga em casa, mandar emails e freqüentar a rede. É assim que funciona o mundo 2.0
Na contramão de toda a interatividade 2.0 seguiu Marta Suplicy. Ao considerar a legislação, ela optou por ignorar a web 2.0, enquanto Kassab optou por incluí-la nos limites do seu site, como determinava a lei.
Na internet não havia espaço para o discurso dos políticos, e sim conversa com o eleitor. Para que o marketing eleitoral se transforme em Marketing Viral é necessário que haja uma interação entre a vontade do eleitor e o que serve à campanha.
Gabeira virou o nosso Obama nacional no âmbito na internet por construir uma campanha que oferecia algo que se multiplicava na rede: interação e participação do eleitor. Gabeira utilizou inúmeros recursos da web 2.0. Uma campanha bonita.
Entretanto, no campo da política, não é só de beleza que vive o marketing viral político. No segundo turno das eleições em Belo Horizonte, a internet foi um dos campos de batalha onde lutaram os dois candidatos. Na TV, no rádio e nos jornais, as alfinetadas foram, na maioria das vezes, irônicas ou veladas. Mesmo nos sites dos candidatos, os ataques foram civilizados. Mas, como na internet a autoria e a veracidade são difíceis de provar, uma onda de ataques, de ambos os lados, via e-mail, nas redes sociais e blogs, proliferam diariamente. O maior fenômeno viral ficou por conta da equipe de Márcio Lacerda, que conseguiu carregar um vídeo no youtube, com a participação do ator Tom Cavalcante imitando Leonardo Quintão. Foram quase um milhão de visualizações em pouco menos de duas semanas. Somado ao vídeo, um canal chamado Paredão do Quintão, foi criado de modo a ironizar o candidato com vídeos que apelavam para o humor e a ironia. E-mails, Twitter, blog anti-Quintão…um verdadeiro arsenal foi montado no segundo turno, na campanha do candidato do PSB, usou-se tudo aquilo que não havia sido utilizado.
Do lado do Quintão: dois blogs comunidades no Orkut, correntes de e-mail atacaram o adversário…
Já por parte dos eleitores… dois blogs “anti” cada candidato foram criados: o anti-Lacerda e o anti-Quintão. Basicamente, repassavam (não criavam) os conteúdos dos e-mails disparados diariamente pelas equipes de cada candidato. Isso sem falar nos inúmeros posts “off-topic” - fora do tema geral - postados por blogueiros comentando sobre os candidatos em seus blogs pessoais.
Também no YouTube, vídeos prós e contras para Quintão e Lacerda. Vários deles, inclusive, amadores ou de debates em universidades de BH.
Todo esse marketing virou viral, se espalhando pela rede. Na campanha do segundo turno, o tom mudou… E a campanha na internet, em ambos os lados sentiu isso. Por exemplo, o site oficial de Quintão passou a exibir, em destaque, mensagens dos eleitores-internautas.
Em suma, marketing viral na eleição resumi-se em abolir a postura de discurso em cima de palanque para uma tentativa de diálogo com o eleitor.
Tags: belo horizonte, campanha, eleições, gabeira, marketing viral, web 2.0
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Governo 2.0
Written by Laura Baptista on November 12, 2008 – 8:54 pm -Depois de uma campanha com grande apelo na internet, Barack Obama mostrou que seu governo também irá aproveitar os recursos da rede.
Ele lançou o site change.gov, um espaço para abordar o período de transição de governo, em que as pessoas podem mandar idéias e até se candidatar para cargos. O Fantástico fez uma reportagem sobre o site, em que fala sobre o uso da internet pelo candidato e a imagem de Obama:
O governo Obama já começou: na internet. O portal se chama “escritório do presidente eleito”, e o endereço change.gov.
Quem entra, é convidado a participar. “Conte sua historia, divida conosco suas preocupações e esperanças. Idéias e sugestões serão aproveitadas”.
Além do novo portal, a equipe de Obama ocupa cada vez mais espaço nas redes sociais da internet. Além de dezenas de vídeos no You Tube, no portal Flickr há fotos intimas da família Obama nos bastidores da festa da vitória do dia 4, em Chicago. O presidente eleito aparece descontraído com a mulher Michelle e as filhas Malia e Sasha.
Ao fazer isto, Obama controla como sua imagem é vista - sem intermediação da imprensa - e, ao mesmo tempo, dá a sensação de fazer parte da vida de cada um.
O novo governo quer usar a internet para promover uma participação inédita da população no processo de mudança do país.
Obama recebeu o voto de dois terços dos jovens e quer criar para eles um novo programa de serviço comunitário, a exemplo do que o presidente John Kennedy lançou nos anos 60. Em troca de servir à nação, o jovem receberá ajuda para pagar a universidade.
A nova geração que ajudou a eleger o novo presidente já é chamada de “Geração O”, de Obama.
Eles cresceram usando a internet e as novas tecnologias como ferramentas para resolver problemas.Nada para eles parece impossível. “Sim, nós podemos” é o lema.
A matéria pode ser lida na integra aqui: Governo de Obama já começou na internet.
O fato de Obama ter um site para tratar da transição de seu governo, em que as pessoas podem mandar sugestões e participar do processo, só comprova a idéia de que o futuro presidente irá buscar interação com a população em sua administração.
Mais informações podem ser lidas no site do jornal Folha de São Paulo e no brainstorm9. Além do vídeo da reportagem do Fantástico:
Assim como os jovens foram incentivados pelo presidente eleito a participar da campanha presidencial americana por meio da web, Barack Obama quer que os americanos enviem sugestões para sua gestão.
Tags: Eleições Americanas, Interatividade, internet, política, site, web 2.0
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